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Serviços de segurança europeus têm dificuldades para controlar fronteiras e compartilhar informações. A Bélgica, com uma grande população muçulmana, é um dos países mais expostos a essas fragilidades

Os atentados em Bruxelas ocorreram quatro dias depois de uma aparente grande vitória dos serviços de contra-terrorismo na Europa: a captura de Salah Abdeslam, o único sobrevivente dos 10 homens envolvidos nos ataques terroristas que mataram 130 pessoas em Paris no dia 13 de novembro e apontado como o principal responsável pelo seu planejamento logístico.  Após a captura de Abdeslam, festejada pelo primeiro-ministro daBélgica, Charles Michel, e pelo presidente daFrançaFrançois Hollande,  o ataque aBruxelas veio lembrar como a Europa está vulnerável ao terrorismo e como o Estado Islâmico, o grupo terrorista que hoje domina uma grande fatia de território  no Iraque e naSíria, está sofisticando suas ações para aterrorizar as populações das grandes capitais européias.

>> FOTOS: Os ataques em Bruxelas

A vulnerabilidade dos serviços de contra-terrorismo europeus  já tinha ficado patente nos ataques a Paris de novembro, perpetrados pouco mais de 10 meses depois do atentado contra os jornalistas do semanário Charlie Heddo em janeiro de 2015. Um relatório confidencial de 55 páginas da polícia francesa, divulgado pelo jornal The New York Times no domingo passado, mostrou como os terroristas do Estado Islâmico se aproveitaram das falhas de controle nas fronteiras dos países europeus – agora realçadas pelo grande fluxo de refugiados do conflito na Síria que estão tentando entrar na União Européia. Os investigadores descobriram que os terroristas se movimentaram com facilidade entre a Bélgica, onde planejaram os ataques, e a França – e, em alguns casos, entre o Oriente Médio e a Europa, mesmo tendo contra eles mandados internacionais de busca e prisão.

Passageiros e trabalhadores evacuam o edifício onde ocorreram as explosões aeroporto internacional de Zaventem (Foto: EFE/Laurent Dubrule)

O relatório da polícia francesa mostra também como os serviços de inteligência da Europa têm dificuldades para trocar informações entre si – por questões legais, práticas ou mesmo territoriais. “Nós não temos normas comuns mesmo para traduções de nomes de pessoas em árabe ou cirílico. Dessa forma, se alguém entra na Europa pela Estônia ou pela Dinamarca, ele não se registra com o mesmo nome com que é registrado na França ou na Espanha”, disse aoNew York Times Alain Chouet, um antigo chefe do serviço de inteligência na França. Essas vulnerabilidades são ainda maiores na Bélgica, um país localizado no coração da Europa Ocidental e sede das principais instituições daUnião Européia.  Com uma grande população muçulmana, a Bélgica, entre os países europeus, conta, proporcionalmente,  com o maior número de cidadãos nacionais que foram para o Iraque  ou Síria com o objetivo de se juntar ao Estado Islâmico. Ao mesmo tempo, os serviços de segurança do país têm tido dificuldades para obter informações sobre as redes de proteção aos terroristas escondidos no país. A caçada de Abdeslam que durou quatro meses, apesar de ele ter se escondido todo esse tempo num subúrbio de Bruxelas,  expõe com crueza essa deficiência.

Ao mesmo tempo, o Estado Islâmico está evoluindo rapidamente no planejamento das suas ações terroristas. O relatório da policia francesa mostra como os terroristas aperfeiçoaram uma série de táticas, como ações coordenadas, produção  de explosivos e de vestimentas com bombas para suicidas, que exigem uma infraestrutura logística e laboratórios com algum grau de sofisticação. A rapidez com que os terroristas reagiram à prisão de Abdeslam sugere também, segundo alguns especialistas, que ele, mesmo sob detenção das autoridades belgas, desde a última sexta-feira, tenha tido capacidade de passar algum tipo de informação para os comparsas que lhe forneceram abrigo, depois dos atentados de Paris em novembro.

Um homem machucado espera por socorro no aeroporto de Bruxelas, na Bélgica. A polícia fechou o aeroporto por motivos de segurança após o atentado matar dezenas de pessoas (Foto: Ketevan Kardava/ Georgian Public Broadcaster/AP)

 

Autor(a): GUILHERME EVELIN
Fonte: Época – http://goo.gl/x5QXQ4

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