2016.2 Nº2 (08 a 12/08): Entenda a realidade aumentada, recurso por trás do sucesso de Pokémon Go – FACPED

2016.2 Nº2 (08 a 12/08): Entenda a realidade aumentada, recurso por trás do sucesso de Pokémon Go

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2016.2 Nº2 (08 a 12/08): Entenda a realidade aumentada, recurso por trás do sucesso de Pokémon Go

O “Pokémon Go” é a nova febre do mundo e do Brasil. O atraso de sua chegada às terras tupiniquins em relação a outros países não o impediu de dominar as atenções por seu inovador modo de jogo, no qual o jogador caça monstrinhos em locais públicos usando a câmera e o GPS do celular.

Embalada pelo jogo, a imprensa de games e tecnologia retomou com força o termo “realidade aumentada”. É um conceito que ganhou o mundo há alguns anos, com o surgimento de apps capazes de mesclar conteúdo virtual com as imagens do mundo real.

No entanto, Ken Perlin, professor de ciência da computação e fundador da New York University Media Research Lab, afirmou que o “Pokémon Go” não é baseado em realidade aumentada em uma entrevista à “Scientific American”.

Argumenta ele: “Jogos como ‘Pokémon Go’ são muito mais entretenimento baseados em localização do que realidade aumentada. Há uma diferença entre apenas atacar uma imagem na frente de alguma coisa porque eu estou ali e alterar realmente nossa percepção da realidade. Se vemos uma criatura por um dispositivo em nossos olhos –em vez de vê-lo pelas telas de telefone–, então a criatura tornou-se uma extensão da nossa percepção comum da realidade”.

O UOL conversou com Álvaro José Rodrigues de Lima, professor do departamento de Técnicas de Representação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Romero Tori, do Centro Universitário Senac, sobre essa tecnologia.

Os dois especialistas discordam de Perlin e consideram que “Pokémon Go” é sim baseado em realidade aumentada e explicam o conceito.

Afinal, o que é realidade aumentada?

Álvaro: “Temos um ambiente de realidade aumentada Quando filmamos um local, em tempo real, e inserimos objetos virtuais e as cenas formadas dão a impressão de que os objetos virtuais pertencem ao mundo real, temos um ambiente de realidade aumentada.”

Romero: “É a criação de ilusão de que elementos virtuais fazem parte do ambiente real.”

Como funciona a realidade aumentada?

Álvaro: “Geralmente, a realidade aumentada funciona com um programa preparado para identificar marcadores previamente colocados no mundo real e, assim, inserir na imagem capturada em tempo real objetos virtuais. Antigamente, o mais usual era a realidade aumentada baseada em PCs, com o uso de webcams. Atualmente, o uso de smartphones está cada vez mais popularizado.”

Romero: “Até mesmo aquela atração antiga de parques de diversão, em que uma mulher se transforma em gorila, seria um tipo de realidade aumentada sem o uso de tecnologia sofisticada. Hoje, existem quatro formas principais. No primeiro, a câmera captura o mundo real, e o software inclui elementos virtuais sobre o vídeo (como no ‘Pokémon Go’); no segundo, com óculos de realidade virtual e câmeras acopladas, o usuário vê o ambiente à frente com elementos virtuais; no terceiro, óculos com lentes semi-transparentes misturam o ambiente com imagens (como a Hololens, da Microsoft); 4. técnicas de videomapping projetam imagens sobre fachadas de prédios”.

Para que serve e servirá a realidade aumentada nas nossas vidas?

Álvaro: “Já foram realizadas diversas experiências em áreas como: medicina, entretenimento e educação. No MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), o cirurgião utilizava um capacete e conseguia ver diretamente na cabeça da paciente a localização exata do tumor cerebral. No entretenimento, muito antes do “Pokémon Go”, na Austrália foi realizada uma experiência chamada ‘AR Quake’, onde o usuário jogava esse jogo de tiro em primeira pessoa nas ruas, utilizando capacete, GPS e computador portátil.”

Romero: “São infinitas as possibilidades. Essa técnica surgiu numa fabricante de aviões para que os engenheiros pudessem observar informações projetadas sobre as peças durante procedimentos de manutenção de suas aeronaves. Hoje existem aplicativos que permitem ao dono de um automóvel ver instruções visuais sobre como trocar uma peça apontando o celular para essa parte do carro. Há aplicativos que sobrepõem informações sobre as obras de arte. É possível manipular objetos virtuais de estudo como se esses estivessem sobre a mesa.”

Quais são os próximos passos desta tecnologia?

Álvaro: “Hoje há diversos aplicativos comerciais disponíveis no mercado com finalidades deferentes. Alguns programas servem para designers, arquitetos e engenheiros desenvolverem seus projetos. Acredito que a realidade aumentada fará cada vez mais parte das nossas vidas. Por exemplo, com o desenvolvimento de óculos especiais para o motorista visualizar as instruções do GPS diretamente na lente, sem precisar desviar o olhar para o painel, significando melhoria na segurança no trânsito.”

Romero: “Até pouco tempo seu uso era restrito a laboratórios de pesquisa e algumas empresas. Agora está se popularizando graças aos dispositivos móveis, que possuem todos os recursos necessários para se produzir o efeito. Trata-se de uma mídia já bastante evoluída. O que faltam são aplicações que façam da realidade aumentada uma necessidade, e não apenas uma curiosidade. Outros desafios: barateamento dos equipamentos e acessórios específicos, como os visores.”

FONTE: http://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2016/08/05/entenda-a-realidade-aumentada-recurso-por-tras-do-sucesso-de-pokemon-go.htm

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