2016.1 Nº 19 (27/06 a 01/07): Brexit deixa Reino Unido sem líder e causa incertezas sobre transição – FACPED

2016.1 Nº 19 (27/06 a 01/07): Brexit deixa Reino Unido sem líder e causa incertezas sobre transição

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2016.1 Nº 19 (27/06 a 01/07): Brexit deixa Reino Unido sem líder e causa incertezas sobre transição

O Reino Unido mergulhou num cenário de incerteza e turbulência tão logo foi encerrada a contagem dos 17,4 milhões de votos que garantiram o histórico rompimento do Reino Unido com a União Europeia (UE).

O “Brexit”, fusão das palavras em inglês “saída” e “britânica”, venceu com 52% dos votos dos britânicos que participaram do plebiscito, mas deixou o país sem liderança para conduzir o processo de retirada do bloco e assustou o mercado financeiro a ponto de derrubar bolsas em diferentes continentes e provocar a desvalorização recorde da libra em relação ao dólar em décadas.

Ainda na manhã de sexrta-feira (24), David Cameron, que comandou a campanha pela permanência no bloco, anunciou que renunciará ao cargo de premiê.

Cameron, contudo, não fixou uma data para deixar o número 10 da rua Downing, residência e escritório oficial do primeiro-ministro britânico. Deixou não apenas o Partido Conservador britânico mas também o Reino Unido sem saber quando começa o processo e também quem será o responsável por negociar os termos Brexit em nome dos britânicos.

“O Reino Unido precisa de uma nova liderança. Como primeiro-ministro vou fazer tudo que posso para segurar o navio durante as próximas semanas e meses. Mas eu não acho que seria certo para mim ser o capitão que orienta nosso país para seu próximo destino”, afirmou, com a voz embargada, citando o encontro dos conservadores em outubro como uma possível data para a troca de comando.

Além de perder o premiê e de oficializar uma disputa interna no Partido Conservador, o Reino Unido ouviu nesta quarta integrantes do principal partido de oposição, o Trabalhista, verbalizarem a vontade de trocar de líder, viu a Escócia e a Irlanda do Norte ameaçarem dar um passo rumo à independência e assistiu ao populismo xenófobo festejar o resultado do plebiscito em toda Europa.

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Após votação favorável ao Brexit, premiê David Cameron anunciou que renunciará em outubro

 

Tamanha turbulência foi classificada pelo jornal “Financial Times” de “crise constitucional” de grande escala.

Para agravar ainda mais o cenário de incerteza, há muitas dúvidas sobre quando começa e como será o processo de saída do bloco.

O Parlamento britânico precisa referendar o resultado do plebiscito e o Conselho Europeu, com sede na Bélgica, deve ser formalmente notificado para dar início às negociações previstas para durar pelo menos dois anos.

“O que acontece a seguir é a grande pergunta, que ninguém ainda pode responder”, observa o professor de política Tim Bale, da Universidade Queen Mary, em Londres.

Uma eventual tentativa do Parlamento de rejeitar o resultado do plebiscito seria tão improvável quanto suicida, mas nada impede que os deputados atrasem o processo.

“O Parlamento, que, afinal, contém uma grande quantidade de parlamentares pró-UE poderia tornar as coisas mais complicadas e é por isso que o novo primeiro ministro vai querer uma eleição antecipada”, diz Bale.

Não há, contudo, um novo primeiro-ministro. A renúncia de Cameron abriu a disputa no partido, que está rachado. Os dois principais nomes que surgem automaticamente são do ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, e da ministra Theresa May –esta com as chances reduzidas por ter apoiado a permanência no bloco europeu.

Johnson, que abraçou a campanha para sair do bloco, afirmou nesta sexta que não há pressa para dar início ao processo de retirada da UE. Nesta sexta, ele ainda comemorava a vitória falando em “oportunidade gloriosa” para o Reino Unido.

Apesar de ter grande apoio na base do Partido Conservador, ele ainda precisa costurar suporte entre os parlamentares, que têm a palavra final na escolha do líder, que automaticamente vira primeiro-ministro.

“Boris Johnson está com força, é muito difícil ver alguém capaz de pará-lo. Claro que, às vezes, quem sai na frente pode tropeçar –e um líder mais jovem com um background mais ‘comum’ poderia nos surpreender, mas eu duvido”, completa o professor Bale.

A disputa entre os conservadores não é a única que o Reino Unido vai precisar encarar. A liderança de Jeremy Corbyn no Partido Trabalhista também está sendo questionada, apesar de ele garantir que não renuncia.

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Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2016/06/1785251-brexit-deixa-reino-unido-sem-lider-e-causa-incertezas-sobre-transicao.shtml

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