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Jim Watson/AFP
Presidente Barack Obama (à esquerda) e primeiro-ministro Shinzo Abe se cumprimentam, em Shima
Presidente Barack Obama (à esquerda) e primeiro-ministro Shinzo Abe se cumprimentam, em Shima

JOHANNA NUBLAT
DE SÃO PAULO

26/05/2016 02h00 – Atualizado às 12h26

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Nesta sexta (27), Barack Obama desembarca em Hiroshima com sua defesa por um mundo sem armas nucleares.

Fará algo que os antecessores não fizeram: será o primeiro presidente americano no cargo a visitar a cidade desde que ela foi arrasada por uma bomba atômica lançada pelos EUA há quase 71 anos.

Estima-se que mais de 200 mil pessoas tenham morrido com os dois bombardeios nucleares —em Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, e em Nagasaki, três dias depois.

A decisão de ir à cidade se soma a outros gestos conciliatórios do americano, como a reaproximação com Cuba e o acordo nuclear com o Irã. Como nesses casos, a visita a Hiroshima cria expectativas sobre suas consequências.

Os vizinhos na Coreia do Sul e na China relembraram, nos últimos dias, as agressões japonesas no século passado e manifestaram desconforto com a possibilidade de o Japão ser posto como vítima.

Johannes Eisele/AFP
Memorial da Paz de Hiroshima, ou Domo Genbaku; Barack Obama visita cidade bombardeada em 1945
Memorial da Paz de Hiroshima, ou Domo Genbaku; Barack Obama visita cidade bombardeada em 1945

“Minha intenção não é revisitar o passado”, disse Obama domingo (22) à rede japonesa NHK. “Mas afirmar que pessoas inocentes morrem numa guerra, de todos os lados” e “devemos continuar empenhados por um mundo sem armas nucleares”.

Obama chegou ao Japão nesta quinta (26) —noite de quarta (25) no Brasil—, onde participa de reunião do G7 (grupo que reúne os sete países mais desenvolvidos do mundo) antes de ir a Hiroshima.

O americano não deve se desculpar pela opção de ter usado armas nucleares no Japão, já disse a Casa Branca.

Apesar de ter caído, é alta a aprovação dos americanos ao bombardeio em 1945, visto como forma de encerrar a guerra e salvar seus soldados. Segundo pesquisa de 2015 do Centro de Pesquisa Pew, 56% o consideram justificável.

Carol Gluck, professora de história japonesa na Universidade Columbia (EUA), avalia que Obama vai se distanciar de duas versões que não se cruzam: a americana (que sustenta que as bombas encerraram a guerra) e a japonesa (segundo a qual elas deram ao Japão do pós-guerra uma missão de paz).

Para não causar irritações políticas e frente a seu desejo de ver o mundo livre de armas nucleares, o americano apresentará uma terceira narrativa, a de um futuro livre de ataques nucleares, diz Gluck.

DESCULPAS

A professora de Columbia afirma que pesquisas de opinião mostraram que a maior parte dos sobreviventes, no Japão, está feliz com a visita de Obama e não espera um pedido de desculpas, mas uma afirmação pela eliminação das armas atômicas.

Essa é a posição de Junko Watanabe, 73, que, aos 2 anos de idade sobreviveu à bomba em Hiroshima e há décadas fez do Brasil sua casa.

“Obama não precisa falar tanto, é só ele olhar o museu [memorial, em Hiroshima] e ver o que aconteceu em 6 de agosto de 1945, às 8h15. Todo mundo sente [o impacto da explosão], o próprio coração vai dizer”, disse ela, em entrevista concedida por telefone em Hiroshima, para onde viajou por uma temporada.

Watanabe afirma que não tem memória do horror das explosões, mas entende por que quem se lembra delas e viu seus familiares morrerem deseja um pedido de desculpas dos americanos. O fundamental porém, afirma, “é que nunca mais aconteça”.

Mesmo sem se desculpar, a disposição de Obama de se aproximar do sofrimento pode abrir caminhos, avalia Ian Neary, professor de política japonesa da Universidade de Oxford (Reino Unido).

“Ouvindo as histórias e talvez sobre a dor dos que foram feridos, ele pode tornar mais provável que, em algum momento no futuro não muito distante, eles recebam um pedido de desculpas.”

Para Gluck, pedir desculpas pelo sofrimento causado às vítimas seria se aproximar demais de se desculpar pelo uso da bomba. “Começo a crer que nunca haverá pedido de desculpas pelas bombas atômicas ou [pelo ataque japonês, em 1941, à base americana de] Pearl Harbor.”

Nesta quarta (25), aliás, o premiê japonês, Shinzo Abe, afirmou não ter planos de visitar Pearl Harbor, no Havaí.

*

OBAMA EM HIROSHIMA
Como os países veem a simbólica visita

EUA
Apesar de ter caído ao longo dos anos, o apoio ao uso das bombas atômicas para encerrar a 2ª Guerra ainda é maior que 50%

JAPÃO
Maioria dos sobreviventes da bomba aprova a visita como passo para um mundo livre de armas nucleares e não espera pedido de desculpas dos EUA

CHINA
Como outros vizinhos, a China se preocupa com uma eventual abertura para ação militar do Japão na região

COREIA DO SUL
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Fonte: FOLHA – goo.gl/jPA6Kg

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